Poema do Fanático
Não bebo álcool, não tomo ópio nem éter,
Sou o embriagado de ti e por ti. Mil dedos me apontam na rua: Eis o homem que é fanático por uma mulher. Tua ternura e tua crueldade são iguais diante de mim Porque eu amo tudo o que vem de ti. Amo-te na tua miséria e na tua glória E te amaria mais ainda se sofresses muito mais. Caíste em fogo na minha vida de rebelado. Sou insensível ao tempo - porque tu existes. Eu sou fanático da tua pessoa, Da tua graça, do teu espírito, do aparelhamento da tua vida. Eu quisera formar uma unidade contigo E me extinguir violentamente na febre da minha, da tua, da nossa poesia. - Murilo Mendes |
Vocabulário
fanático: indivíduo que se dedica entusiasticamente a algo ou alguém;
rebelado: rebelde; que se revolta
Interpretando o Texto:
rebelado: rebelde; que se revolta
Interpretando o Texto:
Primeira Estrofe: eu lírico afirma que seu único vício é amar uma mulher, a qual lhe deixa embriagado - perda da noção, do juízo ("Sou o embriagado de ti e por ti"); por mais que a sociedade não aprove e julgue seu sentimento, ele não nega o amor ("Mil dedos me apontam na rua: / Eis o homem que é fanático por uma mulher").
Segunda Estrofe: "Tua ternura e tua crueldade são iguais diante de mim" - para o eu lírico, não importa o que a pessoa querida faça, pois continua a amando e, quanto mais sofre, mais o amor cresce.
Terceira Estrofe: o eu lírico a ama e deseja tão profundamente que torna-se insensível até à passagem do tempo. Seu único desejo é se unir à mulher "E me extinguir violentamente na febre da minha, da tua, da nossa poesia" (na possibilidade de um futuro juntos).
OBS:
O poema relembra as cantigas de amor, muito comuns no Trovadorismo, uma vez que a amada é idolatrada pelo eu lírico, o qual se coloca como vassalo não só da mulher, como também do seu próprio sentimento.
A embriaguez e a insensibilidade ao tempo causadas pelo amor são parecidas com o desfecho do poema "Morte, Juízo, Inferno e Paraíso", de Bocage .
Ficha Técnica:
Total de estrofes: 3 (2 quadras e 1 sextilha)
Total de versos: 14
Murilo Monteiro Mendes (Juiz de Fora, MG, 1901 - Lisboa, 1975) estudou na sua cidade natal. e foi sempre um homem inquieto passando por várias atividades ao longo da carreira. Estudou poesia e literatura entre 1912 e 1915. Em 1920, passou a colaborar com o jornal "A Tarde", de Juiz de Fora. Em 1930 lançou seu primeiro livro "Poemas", que recebeu o Prêmio Graça Aranha.
Total de versos: 14
*Definições das palavras do vocabulário retiradas da Infopédia (Dicionários Porto Editora) e do Dicionário Online de Português.
"Poema do Fanático", de Murilo Mendes. Disponível em: <http://rauldrewnick.blogspot.com/2014/04/poema-do-fanatico-de-murilo-mendes.html>
As Cantigas de Amor - Trovadorismo. Disponível em: <https://www.colegioweb.com.br/trovadorismo/as-cantigas-de-amor.html>
E-Biografia - Murilo Mendes. Disponível em: <https://www.ebiografia.com/murilo_mendes/>
"Poema do Fanático", de Murilo Mendes. Disponível em: <http://rauldrewnick.blogspot.com/2014/04/poema-do-fanatico-de-murilo-mendes.html>
As Cantigas de Amor - Trovadorismo. Disponível em: <https://www.colegioweb.com.br/trovadorismo/as-cantigas-de-amor.html>
E-Biografia - Murilo Mendes. Disponível em: <https://www.ebiografia.com/murilo_mendes/>
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